Aqui me guardo.
Guardo meus amores
guardo meus temores
minhas loucuras
minhas esquivas da vida.
Guardo meus sonhos
coloco nesse espaço vão
tecido sólido delicado
posto que é mão
cosendo angústias e máculas
aqui, me guardo.
E só. Não mais.
(...) Percebi que as palavras não valem nada, e então me deu vontade de escrever. (...)
sábado, 13 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Felicidade
Vontade de acordar envolto numa cama boa
num dia chuvoso, saudável
e escrever como nunca antes
poesias intensas.
num dia chuvoso, saudável
e escrever como nunca antes
poesias intensas.
terça-feira, 9 de março de 2010
Trapiche
Me sinto num trapiche
cheio de pessoas amontoadas
umas por cima das outras
cada um busca o sossego que lhe cabe
o afago que lhe beija
e eu vagando
por esse vento, por esses rochedos
por esses ressecados dias
como um sem-pernas quero
um carinho para deitar-me.
cheio de pessoas amontoadas
umas por cima das outras
cada um busca o sossego que lhe cabe
o afago que lhe beija
e eu vagando
por esse vento, por esses rochedos
por esses ressecados dias
como um sem-pernas quero
um carinho para deitar-me.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Dias abraçados
A cada batida vibrante de meu pulso
os escuros perdem-me no sentido.
e há uma fagulha!
resquicios de um misto de angustia retalhada
por amor em dias abraçados
coração...
bom me que destes esse descanço
lembrarei no dia que quiser-me ir
que morto já estive
sem antes me matar.
os escuros perdem-me no sentido.
e há uma fagulha!
resquicios de um misto de angustia retalhada
por amor em dias abraçados
coração...
bom me que destes esse descanço
lembrarei no dia que quiser-me ir
que morto já estive
sem antes me matar.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Amor de carnaval
só vi e fui indo
cantando, dançando
sem perder o encanto
de fantasiar ser eu
passaram-se anos antes que
o bloco saisse de minha casa
mas sairam de mim
pararam de fazer batucada em meus olhos
agente podia viver
como quem nao quer nada
com os dias feitos de folia
pra todo manhã ter música
e toda noite ter amor
podemos fazer carnaval de nós mesmos?
cantando, dançando
sem perder o encanto
de fantasiar ser eu
passaram-se anos antes que
o bloco saisse de minha casa
mas sairam de mim
pararam de fazer batucada em meus olhos
agente podia viver
como quem nao quer nada
com os dias feitos de folia
pra todo manhã ter música
e toda noite ter amor
podemos fazer carnaval de nós mesmos?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O homem de colares
O homem de colares
descansava embaixo da sombra
ele, luz
sua mulher, espada.
seu olhar atravessou minha carne
distribui em meu sangue
mais vermelho
anjo de luz! Me dissestes
se nao tivesse eu
e todo o meu eu
sobraria algo?
sonhos que morriam
amor que se retirava
já estaria em terra prematura
mas vingaste a criança
crescera o poeta
nascera o filósofo
uma fé no sorriso
no enxergar um do outro
coração alagado
até o sopro da bondade
que ao mundo
de quem nao fantasia
é ar puro
o homem de colares
é ar puro
é ar
é puro.;
descansava embaixo da sombra
ele, luz
sua mulher, espada.
seu olhar atravessou minha carne
distribui em meu sangue
mais vermelho
anjo de luz! Me dissestes
se nao tivesse eu
e todo o meu eu
sobraria algo?
sonhos que morriam
amor que se retirava
já estaria em terra prematura
mas vingaste a criança
crescera o poeta
nascera o filósofo
uma fé no sorriso
no enxergar um do outro
coração alagado
até o sopro da bondade
que ao mundo
de quem nao fantasia
é ar puro
o homem de colares
é ar puro
é ar
é puro.;
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A chuva das moças maças
Chovia forte
pingos convidativos
brincadeiras molhadas
cabelos lisos grudados nas bocas rosas
peles virgens e belas
a rolar na grama sacra
o padre de sua janela
saiu de batina
inebriado pelas dádivas
sorrisos fora de sua janela
saltavam embaixo daquele céu de águas
de uma tarde de qualquer verão
cidade de ruas de ladrilhos
banquinhos e pracinha de igreja
ficaram ali feito crianças
dançando para as flores
o padre e as moças
até que secou os olhos de deus
foi o comentário da cidadezinha
o pároco enlouqueceu
acharam alarde
padre dançar na chuva
com moças maças.
pingos convidativos
brincadeiras molhadas
cabelos lisos grudados nas bocas rosas
peles virgens e belas
a rolar na grama sacra
o padre de sua janela
saiu de batina
inebriado pelas dádivas
sorrisos fora de sua janela
saltavam embaixo daquele céu de águas
de uma tarde de qualquer verão
cidade de ruas de ladrilhos
banquinhos e pracinha de igreja
ficaram ali feito crianças
dançando para as flores
o padre e as moças
até que secou os olhos de deus
foi o comentário da cidadezinha
o pároco enlouqueceu
acharam alarde
padre dançar na chuva
com moças maças.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Amar
ruas douradas fazem meus olhos
despetalas em flores criam pomares
em minhas peles e roupas
um mar delicado
solidão.
mais que as farpas diárias
mais que as faltas em filas
amor de quem escreve poesia
"deus nao nos deixes
como meus irmaos estais deixando"
posso simplesmente amar
como um camumbembe entre as pitombeiras?
Um homem da minha rua
sempre ndesfez das pessoas
agora ficou arrastando uma perna
como sequela de ataque do coração
ai penso:
deus são os fluidos cósmicos
de sol
de árvores
de água
de felicidade
e de evolução espiritual
tipo, o caminho das formigas
são os nossos caminhos.
despetalas em flores criam pomares
em minhas peles e roupas
um mar delicado
solidão.
mais que as farpas diárias
mais que as faltas em filas
amor de quem escreve poesia
"deus nao nos deixes
como meus irmaos estais deixando"
posso simplesmente amar
como um camumbembe entre as pitombeiras?
Um homem da minha rua
sempre ndesfez das pessoas
agora ficou arrastando uma perna
como sequela de ataque do coração
ai penso:
deus são os fluidos cósmicos
de sol
de árvores
de água
de felicidade
e de evolução espiritual
tipo, o caminho das formigas
são os nossos caminhos.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Amor e Água
Tudo está aos poucos virando enchente
estou nadando em casa d'água
depois seca
e vira nuvem
longes, brancas
pra chover de novo
na terra de nossos olhos.
estou nadando em casa d'água
depois seca
e vira nuvem
longes, brancas
pra chover de novo
na terra de nossos olhos.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Terra dos meus olhos
Tô cansado do sol
triste, alegre
juntado com a lua traz um nada
tirando de pouco
as coisas em suas coisas:
como o passado
presente morno
amizades em cordas secas, em cordas molhadas
alguns vicios geneticamente adquiridos
pela corrente sanguinea do tempo
virtudes que não deslizam
e não dá tempo de amadurar
vai se reparando:
quando era criança escrevi um poema
sobre solidão
"lembro dos seus olhos
eram claros mas sem brilho
vi água neles"
vai se tirando
veja que a réstia
vai sumindo
até que em sua casa
sobra alguma pessoa louca em um cômodo
um silêncio em outro
e o anoitecer é triste
me lembrei do inverno
me sinto como um mestre Amaro
me sinto batendo sola
a mesma angustia
passa por mim tilintando
no seu cabriolé
amanhã vou aguar as plantas
e nessa semana não quero adiar
as flores que a meses prometo-me
vê se elas pegam na terra de meus olhos.
triste, alegre
juntado com a lua traz um nada
tirando de pouco
as coisas em suas coisas:
como o passado
presente morno
amizades em cordas secas, em cordas molhadas
alguns vicios geneticamente adquiridos
pela corrente sanguinea do tempo
virtudes que não deslizam
e não dá tempo de amadurar
vai se reparando:
quando era criança escrevi um poema
sobre solidão
"lembro dos seus olhos
eram claros mas sem brilho
vi água neles"
vai se tirando
veja que a réstia
vai sumindo
até que em sua casa
sobra alguma pessoa louca em um cômodo
um silêncio em outro
e o anoitecer é triste
me lembrei do inverno
me sinto como um mestre Amaro
me sinto batendo sola
a mesma angustia
passa por mim tilintando
no seu cabriolé
amanhã vou aguar as plantas
e nessa semana não quero adiar
as flores que a meses prometo-me
vê se elas pegam na terra de meus olhos.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Beleza amorfa
Vide dicionário:
Substância amorfa é a designação dada à estrutura que não
têm ordenação espacial a longa distância.
Os rígidos amorfos são sólidos que não apresentam ordem estrutural
num estado normal, mas somente em dimensões pequenas.
Substâncias orgânicas que parecem, mas não são cristalinas.
Parece que sou:
pedaços de vidro
algodão doce grudando na boca
bolinhas de isopor que imitam neve.
Substância amorfa é a designação dada à estrutura que não
têm ordenação espacial a longa distância.
Os rígidos amorfos são sólidos que não apresentam ordem estrutural
num estado normal, mas somente em dimensões pequenas.
Substâncias orgânicas que parecem, mas não são cristalinas.
Parece que sou:
pedaços de vidro
algodão doce grudando na boca
bolinhas de isopor que imitam neve.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Não quero ser amorfo.
o sol de uma manha retinando
o peito
de um calor maduro
com uma vida que pulsa
coração aberto
brilho avermelhado
não há fruto que boca nao coma
nem paloma que asa nao voe
por mais que me esforçe
em passar os dedos magrelos
nessas letras ladrilhadas
nao faz o seu sorriso
me descegue mornamente
para que eu possa rasgar
seus lábios, sua pele
liso, livre
como o mar
escorrido do verão.
me faça de amor
pobre das palavras
não
há
o peito
de um calor maduro
com uma vida que pulsa
coração aberto
brilho avermelhado
não há fruto que boca nao coma
nem paloma que asa nao voe
por mais que me esforçe
em passar os dedos magrelos
nessas letras ladrilhadas
nao faz o seu sorriso
me descegue mornamente
para que eu possa rasgar
seus lábios, sua pele
liso, livre
como o mar
escorrido do verão.
me faça de amor
pobre das palavras
não
há
domingo, 20 de dezembro de 2009
A morte do capitão
Tinha uma praia e logo na beirada
algumas casinhas
rendeiras
pescadores
passeio de bateras
mergulhos de criança
vento sul
As casinhas dobraram uma geração
e logo pessoas de lugares longinquos
começaram a chegar
e tinham que comer e tinham que dormir
e tinham que viver como quem ali vivia
Mais uma geração
e existem hotéis, restaurantes
onde a moqueca do olho da cara
é aquela receita da avó
que dos indios herdou
os temperos vermelhos de outrora
Passado mais um pouco
uma casinha de frente pro mar
teve que dar lugar à uma buati
de grandezas e requintes
e o morador que pintara a mão
as janelinhas azuis de sua morada
que fora capitão de fragatada nas marés fortes
que tecia suas redes em seu quintal
que olhava fundo pro mar delicadeza
teve que abandonar seu posto
no dia em que viu que não seria possível viver
sem acordar com a areia branca
e com aquele barulho das ondas
vestiu seu uniforme
pegou a corda do barco
foi até a última castanheira
e se enforcou
depois de alguns anos
viemos saber que a buati
que matou o Capitão
que soterrou suas tarrafas
e sumiu com suas janelas azuis
fora construída com dinheiro público
e serve como lavagem de propinas
em um esquema de corrupção.
algumas casinhas
rendeiras
pescadores
passeio de bateras
mergulhos de criança
vento sul
As casinhas dobraram uma geração
e logo pessoas de lugares longinquos
começaram a chegar
e tinham que comer e tinham que dormir
e tinham que viver como quem ali vivia
Mais uma geração
e existem hotéis, restaurantes
onde a moqueca do olho da cara
é aquela receita da avó
que dos indios herdou
os temperos vermelhos de outrora
Passado mais um pouco
uma casinha de frente pro mar
teve que dar lugar à uma buati
de grandezas e requintes
e o morador que pintara a mão
as janelinhas azuis de sua morada
que fora capitão de fragatada nas marés fortes
que tecia suas redes em seu quintal
que olhava fundo pro mar delicadeza
teve que abandonar seu posto
no dia em que viu que não seria possível viver
sem acordar com a areia branca
e com aquele barulho das ondas
vestiu seu uniforme
pegou a corda do barco
foi até a última castanheira
e se enforcou
depois de alguns anos
viemos saber que a buati
que matou o Capitão
que soterrou suas tarrafas
e sumiu com suas janelas azuis
fora construída com dinheiro público
e serve como lavagem de propinas
em um esquema de corrupção.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Do calor ao vento
Depois de passar alguns meses quentes na cama
se sujando de todos os fluidos corpóreos
a que um homosapiens ainda expele
e amando como um animal
sentimentos quase verdadeiros
não fosse o desabafo ofegante daquele dia
em que esfregou desesperadamente as maos, os braços e os calcanhares
procurando algum repouso no chão
fazendo nascer do sangue a vontade de muitos outros lugares
saia! rame flores em suas vertigens
olhe a praia deserta e o vento que fresca
em contraste com aridez vermelha que estivera
viaje e imagine que do outro lado do mar
algum como você sente a mesma coisa
mas fala outra lingua olha outro olho
e arrisco-me que tenha outro coração.
queria ser sempre a calma
onde a vegetação cresce dócil
a água ginga calma e a paisagem indiz
somos o contrário do futuro no mundo
versamos o passado
temos paraísos feitos a mão
Sinto-me cristalizado
grudado a grama
a fitar este lugar
pelo qual me apaixonara outra vez.
Numa coisa estranha que dá
aparece e some feito brilhos
e ali, desfeito como homem, chorara
debaixo do guarda-sol azul do céu
e do mesmo modo recobrando seus pilares de aurora
sorria, deixando as muitas coisas amorfas
se darem como flor, que vira fruto
que vira boca.
se sujando de todos os fluidos corpóreos
a que um homosapiens ainda expele
e amando como um animal
sentimentos quase verdadeiros
não fosse o desabafo ofegante daquele dia
em que esfregou desesperadamente as maos, os braços e os calcanhares
procurando algum repouso no chão
fazendo nascer do sangue a vontade de muitos outros lugares
saia! rame flores em suas vertigens
olhe a praia deserta e o vento que fresca
em contraste com aridez vermelha que estivera
viaje e imagine que do outro lado do mar
algum como você sente a mesma coisa
mas fala outra lingua olha outro olho
e arrisco-me que tenha outro coração.
queria ser sempre a calma
onde a vegetação cresce dócil
a água ginga calma e a paisagem indiz
somos o contrário do futuro no mundo
versamos o passado
temos paraísos feitos a mão
Sinto-me cristalizado
grudado a grama
a fitar este lugar
pelo qual me apaixonara outra vez.
Numa coisa estranha que dá
aparece e some feito brilhos
e ali, desfeito como homem, chorara
debaixo do guarda-sol azul do céu
e do mesmo modo recobrando seus pilares de aurora
sorria, deixando as muitas coisas amorfas
se darem como flor, que vira fruto
que vira boca.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
O mar
De dentro do ônibus passeava
o olhar pelo tapete azul
com brilhos de diamantes
que lembravam os cabelos
de iemanjá
no fundo como um quadro
os pescadores radiavam sua
vitalidade
de quem aportou de mardugada
servindo de paisagem
lá longe
abri a janela
pros raios retinarem minha iris
e levar luz aos meu coagulos
pintar o íntimo jasmim
inebriado feito Camus
num mar de qualquer Argélia.
o olhar pelo tapete azul
com brilhos de diamantes
que lembravam os cabelos
de iemanjá
no fundo como um quadro
os pescadores radiavam sua
vitalidade
de quem aportou de mardugada
servindo de paisagem
lá longe
abri a janela
pros raios retinarem minha iris
e levar luz aos meu coagulos
pintar o íntimo jasmim
inebriado feito Camus
num mar de qualquer Argélia.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Chuva
a chuva me trouxe uma princesa
de iris melada e pele fria
embotada nos pingos dágua
molhado dos fios ao pés
acalentando as lagunas da cidade
o tempo de um dia
que acordava preguiçoso
com muros musgados verdes
e as árvores pingando lágrimas
ruas de ladrilhos mágicos
anjos de meias e pijamas em suas varandas
de casas de portaozinhos baixos
adornados brancos fazendo voltinhas infinitas
ela cantou e me embalou em seus braços
e me lançou feito um barco
em instantes de felicidade.
de iris melada e pele fria
embotada nos pingos dágua
molhado dos fios ao pés
acalentando as lagunas da cidade
o tempo de um dia
que acordava preguiçoso
com muros musgados verdes
e as árvores pingando lágrimas
ruas de ladrilhos mágicos
anjos de meias e pijamas em suas varandas
de casas de portaozinhos baixos
adornados brancos fazendo voltinhas infinitas
ela cantou e me embalou em seus braços
e me lançou feito um barco
em instantes de felicidade.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Pequenina
Um dia um menino
levantou de um sono
se enrolou em lençois
molhados de febre
e sonhou ser um mago
com toda a mágica da vida
foi-se tornando um andarilho
um bonito samana
em circulos de poucos metros
aprofundava-se em cada lasquinha
desse universo que agora estava
extraíra fórmulas da sua cama,
do seu móvel de tv
conversava horas a fios
com seu novo amigo do espelho
sobre políticas e metafísicas
compartilhavam cigarros
dançavam as musicas da rádio
fizeram fogueira de livros
e melodias eternas de cordas e teclas
foi uma grande festa
com a cantinho do olhar
e com o cantinho da consciência
quando assim se embrulhou novamente
sua pele em casulo
e pôs-se enxarcado
no ventre de sua loucura.
levantou de um sono
se enrolou em lençois
molhados de febre
e sonhou ser um mago
com toda a mágica da vida
foi-se tornando um andarilho
um bonito samana
em circulos de poucos metros
aprofundava-se em cada lasquinha
desse universo que agora estava
extraíra fórmulas da sua cama,
do seu móvel de tv
conversava horas a fios
com seu novo amigo do espelho
sobre políticas e metafísicas
compartilhavam cigarros
dançavam as musicas da rádio
fizeram fogueira de livros
e melodias eternas de cordas e teclas
foi uma grande festa
com a cantinho do olhar
e com o cantinho da consciência
quando assim se embrulhou novamente
sua pele em casulo
e pôs-se enxarcado
no ventre de sua loucura.
sábado, 21 de novembro de 2009
Pequenina
meu mundo ficou pequeno outra vez
parece que agora restaram poucos metros quadrados
falta-me a força da distancia, de projetar os olhos pela janela
percorrer o horizonte do outro lado do mar
fosse aqui ao lado da minha cama
tudo me é tao pequenino,
ninharias, parecidas com manchas
pingos de suores
no chao que nao me sustenta mais
sobraram alguns passos
até a cozinha e volto
até a volta e a copa
até esse, aquele e outro
posso até negar minhas maos
e estendê-las se quiser
e numa mágica cartesiana
reduzir minha pele, minhas tragadas
minha kleos imaginável
a dor de não se sentir pleno
as minhas pequenas letras
de texto verde ainda
minha mocidade
minha ociosidade
minha amargura
minha tristeza
fechar isso tudo num cofre dourado
para me manter vivo
crivado em estórias de ondas
e deixar lá, envelhecendo como um vinho
numa garrafa miudinha,
jogadinha nas águas
como disseram-me que adoravam
tambem adoraria se fosse mulher
viajantes brilhantes
Mas eu,
eu sou agora isso!
esse trapo velado
pronto para dormir.
parece que agora restaram poucos metros quadrados
falta-me a força da distancia, de projetar os olhos pela janela
percorrer o horizonte do outro lado do mar
fosse aqui ao lado da minha cama
tudo me é tao pequenino,
ninharias, parecidas com manchas
pingos de suores
no chao que nao me sustenta mais
sobraram alguns passos
até a cozinha e volto
até a volta e a copa
até esse, aquele e outro
posso até negar minhas maos
e estendê-las se quiser
e numa mágica cartesiana
reduzir minha pele, minhas tragadas
minha kleos imaginável
a dor de não se sentir pleno
as minhas pequenas letras
de texto verde ainda
minha mocidade
minha ociosidade
minha amargura
minha tristeza
fechar isso tudo num cofre dourado
para me manter vivo
crivado em estórias de ondas
e deixar lá, envelhecendo como um vinho
numa garrafa miudinha,
jogadinha nas águas
como disseram-me que adoravam
tambem adoraria se fosse mulher
viajantes brilhantes
Mas eu,
eu sou agora isso!
esse trapo velado
pronto para dormir.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Europeu, gastação, psicodélica
europeu americano
psicodelica psicodelica
gastação
europeu americano
psicodelica psicodelica
gastação
psicodelica psicodelica
gastação
europeu americano
psicodelica psicodelica
gastação
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
As pêras estão maduras!
meus pensamentos são como fantasmas irônicos
fazem sombras gigantescas em mim
tenho vontade de me dissolver nas coisas
tornar-me flor, terra, luz
sair desse lugarzinho que sou eu
será que existem culpados por isso?
será que foi o homem quem perdeu
o elo com os seres
enquanto penso, penso de novo e muito
e essas vultos brancos ainda brincam comigo
mas não tem graça as peças que me pregam
vai ver estou descobrindo a tragédia
o peso do que somos, perdendo minha infância
mas sinto como se pudessemos escapar ao
próximo ato
sinto mais quando olho para o sol, para as estrelas
para o caminho das formigas ou para um cão
pedindo carinho
sinto que um dia, não muito longe
se contarmos pelo relógio de deus
eramos derretidos uns nos outros
uns nos outros
precisamos rodar ao contrário
precisamos ficar bêbados
de tanto girar olhando pro céu
com os braços esticados feito hélices
e cair de costas, sorrindo
para que os dois ultimos seres-humanos
não se separarem quando minguados
se extinguirem como mais uma fagulha que em
mim acabou de se apagar
meus pensamentos
desse jeito até preferiria ser macaco.
fazem sombras gigantescas em mim
tenho vontade de me dissolver nas coisas
tornar-me flor, terra, luz
sair desse lugarzinho que sou eu
será que existem culpados por isso?
será que foi o homem quem perdeu
o elo com os seres
enquanto penso, penso de novo e muito
e essas vultos brancos ainda brincam comigo
mas não tem graça as peças que me pregam
vai ver estou descobrindo a tragédia
o peso do que somos, perdendo minha infância
mas sinto como se pudessemos escapar ao
próximo ato
sinto mais quando olho para o sol, para as estrelas
para o caminho das formigas ou para um cão
pedindo carinho
sinto que um dia, não muito longe
se contarmos pelo relógio de deus
eramos derretidos uns nos outros
uns nos outros
precisamos rodar ao contrário
precisamos ficar bêbados
de tanto girar olhando pro céu
com os braços esticados feito hélices
e cair de costas, sorrindo
para que os dois ultimos seres-humanos
não se separarem quando minguados
se extinguirem como mais uma fagulha que em
mim acabou de se apagar
meus pensamentos
desse jeito até preferiria ser macaco.
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